Saudade

Hoje acordei ao som desta música.
Não que estivesse a tocar nalgum rádio cá por casa, ou tão pouco na televisão..
Tocava dentro de mim.



Agora que a oiço traz-me um misto de saudades e arrepio na pele. Traz-me à recordação os dias em que o sorriso era rasgado, situações com tanto de cómico como de especial.. daquelas coisinhas pequenas e inesperadas mas que no fundo nos enchem o coração.

Sim, tenho saudades.

Há relativamente pouco tempo comentaram-me o blog acerca deste tema (obrigado Hélder!) e hoje dou comigo envolta nesse pensamento. E chego tão somente à conclusão que no fundo a saudade só existe porque todos esses momentos um dia foram meus.
Sei que nunca mais ninguém vai parar um carro ao som dessa música. Mas, ainda assim, posso acordar cada dia com a sensação e a felicidade de saber o que é ser-se feliz.

Depois existem também umas saudades diferentes,
aquelas que vão pelo caminho da nostalgia e que nos rasgam um sorriso facilmente.
Aquelas que de ainda tão recentes, tão frescas, nos permitem adormecer tranquilos, com um coração cheio de memórias.
Uma expressão, um sorriso, um "adorei" ou uma frase mimada.
Dão-me motivos para continuar cada vez mais e melhor a pisar este trilho:
pé ante pé.

:)


Um agradecimento especial a quem esteve ontem no Kif. Uma noite que previa ser complicada, pelos mais variados motivos, acabou por se revelar mais uma noite daquelas! Sim, hoje durmo com o coração cheio. E sim, saudades do tempo das borboletas, tanto tanto...

Chão

Não falo em regresso porque não sei ao certo se algum dia chegou a existir uma partida..

..mas hoje pisei chão firme.

Sem chão

Sem tempo.
Mas sobretudo sem espaço.
Porque o tempo nada mais é do que a sucessão dos minutos
umas vezes mais fulminantes que outras,
mas, ainda assim, pouco mais é que o passar das horas.
Esse tempo que deixei de contar,
esses espaços que já não visito,
essas palavras que já não espero.
Hoje aprendo a gerir.
E sendo tudo uma questão de gestão das nossas rosas,
do tempo que dispensamos a cada uma delas,
mas sobretudo uma questão de atitude,
deixo-as hoje voar sem destino certo..
Não lhes corto as asas, muito menos as aprisionarei:
não as quero junto de mim. Assim.

E tal como elas rumarei, prosseguindo esta minha rota.
Por uns tempos? Para sempre?
Talvez até ter de volta o meu tempo, o meu espaço..
.. o meu Chão!



O Chão da Alma encontra-se em fase de retiro. Sem esse tempo e esse espaço por agora não faz sentido.
Quero agradecer a todos os que por aqui passam em busca de mais umas linhas, a quem passa na esperança de saber de mim e, sobretudo, a quem passa e consegue (realmente) ler nas entrelinhas: os cúmplices que decerto perceberão esta necessidede de abrandar um pouco.

O(s) Projecto(s)


Podia ter cruzado os braços,
ter-me entregue ao descanso, tão necessário em mim.
Ao invés disso, e perante um chão cujo trilho ameaçava uma rota tortuosa, arrisquei.
Troquei um mês de respiração calma e quase inerte por um mês de tumultos misturados com sorrisos,
por um passo em frente (ou deverei dizer ao lado?!) nas minhas ambições,
e uma mão cheia de novas recordações.

Nada mais será igual, por muito que o final do mês represente um ponto final nestas "férias" e o voltar ao mesmo de sempre..

Na verdade, ele vai representar o começo de tudo!
O sonho (que não sei se alguma vez o sonhei) está aí, prontinho a ser vivido.
E levo toda a bagagem pronta.
Pronta a ser doada, de corpo e alma.

Levo também na mochila o vosso apoio, o entusiasmo
e, acima de tudo, a vossa expressão de alegria e satisfação perante os meus passos.
E por muito que algumas presenças nem sempre sejam possíveis, estão sempre comigo: lá.
Porque o camarim nunca será um local a solo, nunca será apenas uma garagem fria.
O camarim é aquilo que vocês fazem dele.
São as vossas mensagens, os vossos rostos, os vossos aplausos
ou por vezes apenas o vosso pensamento ainda que distante.

Depois existem aquelas faces pequeninas e os sorrisos desdentados que nos prendem.
aqueles abraços meigos e todas aquelas palavras proferidas na inocência de quem tem 5 anos..
Sem darem conta do impacto que têm palavras pequeninas
fazem-nos crescer com eles, sorrir com eles
e desejar que o tempo não corra mais.
Parar ali, assim, no espaço. Permanecer ligada a ele.

Vou apenas esperar que o tempo não me leve estes sorrisos,
nem o calor e a reciprocidade de um olhar,
porque foram apenas eles que me fizeram dar aquele passo quase sem consciência, quase sem acreditar..
foram eles que me fizeram ficar! :)

"Bem Vindas ao Projecto!"

Rotina

Dizem que mata.
Mata a existência, a genuinidade e a força dos laços.
Quebra-os como o tempo corrói um pano,
e acaba por torná-los frios tal como um por do sol leva consigo o calor.
No fundo pinta na tela de cada um de nós uma vivência enfadonha
a qual o Homem tenta freneticamente contornar.

Por isso surgem as mudanças.

Trazem consigo uma lufada de ar fresco.
Permitem-nos tocar levemente o chão de outras almas.
Por vezes, ao tocá-lo, encontramos nele pegadas do nosso próprio chão!
Contornos em tanto semelhantes, embora de tamanhos diferentes,
que julgo até ver nesse chão a minha própria imagem reflectida.
E ao mesmo tempo que me estico um pouco mais, percebo no olhar que aquele chão não é o meu, mas que o complementa em tanto!

Por vezes a imagem no chão foge, imposta pela rotina.
Como se existisse uma linha a seguir, predestinada.
Como se o Homem estivesse resignado a essa "vivência enfadonha" ou a ela condicionado.
Porque é tão mais fácil cedermos à rotina do que arriscarmos rotas novas.
Porque todos nós, em tantos passos desta nossa caminhada,
precisamos apenas de abrandar um pouco,
e respirar.

Depois ela volta a tomar conta de nós.



Deixo-vos ainda com uma música perfeitinha..
[D'Black - Sem ar]