Rascunho

Arrisquei remexer nas folhas secas no chão
e debaixo delas tracei a lápis um novo rumo.
A tracejado e inconstante, pé ante pé julguei passá-lo a limpo.
Trouxe cores novas, mudei as cores ao céu!
Mas pelo canto do olho vejo tanto, tanta coisa.
Escorrego nesta sombra tão presente.
Sinto, passo, ando e corro.
Volto lá, voltamos a sorrir
volto ao silêncio feliz e ao compasso tranquilo rumo a casa.

De olhos postos no (meu) céu

Pintaram o meu céu de azul, quase como dando um tiro no escuro.
Um azul tão claro e límpido que me fez erguer a cabeça nesse sentido.
Como quem nada espera (mas ao mesmo tempo tudo) estiquei-me nas pontas dos pés para o tentar alcançar, ver se era real.
Talvez por ser assim, pequenina, não o consegui perceber.

Mas gostei da cor. Se gostei!
Gostei tanto que não sei mais ver outra cor neste meu céu.
Tanto tanto que julgo andar sempre em bicos de pés e de face erguida, de olhos fechados.
Em vão, porque não chego lá!

Mudanças

Sim. Mudei o chão da alma.
Mudei tanta coisa dentro de mim que não faria sentido o blog ser o mesmo.
Negro? Diria apenas carregado. Porque é assim que a minha alma tem adormecido.
Opaca e ao mesmo tempo tão carregada de marcas e palavras, de frases que o destino teima em fazer soar ao meu ouvido.
As mesmas palavras que não são ditas pelo olhar.
Tão contrário ao que agora oiço, tão contrário ao que sei que senti.

"São emoções que dão vida à saudade que trago" (Mariza in Chuva)

Elas que acompanham estes pés descalços, os mesmos que giram e se elevam com leveza na esperança de que elas ali fiquem.
Com aquela música. Com aquela dança.

Saudade

"Há gente que fica na história, da história da gente..."


[Mariza - Chuva]

São emoções que dão vida à saudade que trago..

I Still..

Flutuo neste azul que me leva de volta ao conforto
e que me transporta para perto de tudo o que amo
Esta água que agora me separa das recordações e da existência
separa agora e sempre momentos distantes mas ainda tão presentes.
Queria poder ser livre, sem consequências.
E quanto mais me aproximo desta margem maior é a ansiedade:
quanto menos este mar nos distancia maior a impossibilidade de tanta coisa!

Deixo aqui, por isso, este grito surdo e sufocado
na esperança que seja abafado pelo som do mar que embate neste cais.
E acabo por perceber assim que quanto mais tentamos esquecer o som do mar a embater nas rochas, tão mais força ele tem!