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As núvens desfaziam-se ao longe enquanto o sol lhe batia no rosto e a brisa era leve,
tão leve que quase cantava ao ouvido, baixinho.
Ele não temia o dia de amanhã, não o encarava com preocupação.
E todos os dias, à mesma hora, o sol voltava a encher-lhe o coração quase sem que se apercebesse disso.
Era simplesmente o embalar do mar que o levava
Sem rumo nem ponto de chegada, sem objectivos a alcançar.
Mas à medida que os dias foram sendo menos quentes e o caminho pareceu traçar-se diante dos seus olhos, a maré mudou. E com ela, a instabilidade do barco.
Percebeu então que não estava sozinho naquela viagem.
Os riscos de naufrágio eram cada vez maiores e só havia uma bóia..
De repente um rasgo de sol volta a encher o peito, como quem recarrega algo, de alguma forma.Como quem inspira fundo para dar (mais) um passo em frente.
Mas as núvens não tardaram e com elas a tempestade.
Primeiro balançou ao de leve, depois a tempestade tomou conta do barco.
Embora aflito, deixou-se naufragar, não antes de ceder a bóia..
À medida que afundava toda a viagem lhe passou pela memória.
Viagem que, afinal, tinha sido tudo menos solitária. Foi curta, mas intensa.
Daquelas que sempre ficam recordadas num cantinho especial.
E perdeu todas as suas forças, com estes flashes no pensamento
E já sem oferecer resistência, deixou-se ir.
No dia seguinte acordou na praia.
Com o sol a bater-lhe no rosto..
.. novamente.